BRF diz que vai manter empregos e que contratará mais 2 mil

BRF afirmou nesta quarta-feira (1º) que não fará demissões até o final de maio e anunciou que vai contratar 2 mil funcionários para garantir a continuidade de sua produção em caso de necessidade de quarentena de equipes no Brasil e em outros países onde opera.

O presidente-executivo da dona das marcas Sadia e Perdigão, Lorival Luz, afirmou também que o grupo, que tem mais de 90 mil funcionários no mundo, vai doar R$ 50 milhões em alimentos e insumos médicos e equipamentos hospitalares, além de verba para pesquisa científica de combate ao novo coronavírus.

“Abril e maio é onde conseguimos enxergar com alguma clareza. Torço muito para que após abril e maio já tenhamos passado por este momento mais crítico da doença. Se tiver algum cenário novo, vamos avaliar”, disse Luz em teleconferência com jornalistas.

“Queremos trazer mais tranquilidade para todos e não criar aqui uma insegurança para junho, porque ela não existe”, acrescentou o executivo ao ser questionado sobre as razões para a definição do prazo em que a BRF se compromete a não demitir.

A companhia até agora não sentiu problemas na sua cadeia de insumos ou no volume de vendas, que está registrando uma migração dos canais de food service para o varejo uma vez que os consumidores estão se alimentando em casa e não em restaurantes.

Segundo Luz, a BRF está com um estoque de milho, usado na ração dos animais que serão abatidos para produção de alimentos, “confortável” para o atual cenário.

“Hoje não temos nenhum impacto na produção. Continuamos produzindo…Não chegamos a dar férias coletivas e a companhia avalia que neste momento isso não é necessário”, afirmou o presidente da BRF, ressaltando que o grupo está cumprindo recomendações da Organização Mundial de Saúde, de separação de pelo menos 1 metro entre cada funcionário.

O executivo comentou ainda que a BRF comprou 20 mil kits para testes de Covid-19 que deverão chegar ao Brasil em “2 ou 3 dias” e serão enviados para “hospitais e unidades de saúde que precisam”. O grupo também está ampliando apoio de alimentação aos funcionários e suas famílias, acrescentou.

Paralisações no setor

No mês passado, indústrias de carne bovina tomaram medidas para conter a produção. A JBS, líder global no segmento, deu férias coletivas em 5 fábricas em função da queda nas exportações.

A Minerva, outra gigante do setor, paralisou as atividades de 4 plantas por até 15 dias, neste caso em função do novo coronavírus.