Cientistas avançam em estudo para entender anomalia magnética no Brasil

Cientistas do Observatório Nacional (ON) avançaram no estudo para entender a anomalia magnética do Atlântico Sul (AMAS), que está no Brasil.

Atualmente, os pesquisadores estão digitalizando e catalogando mais de 32 mil magnetogramas que foram realizados ao decorrer de 92 anos de atividade.

Os magnetogramas são registros em papel que demonstram variações gráficas do campo geomagnético (CG) do planeta, obtidos através de instrumentos geofísicos.

Cada magnetograma corresponde ao período de 24 horas de medição, e por isso esse deverá ser o primeiro acervo de dados científicos do campo geomagnético obtido de forma sistemática.

Os dados estão sendo reunidos desde o ano de 1915, e devem ajudar a analisar diversas situações, como tempestades magnéticas que ocorrem no Brasil.

Arquivar todas essas medições de forma digital criando o maior acervo do campo geomagnético é uma parceria do ON com:

  • Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST);
  • Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP).

Atualmente, a etapa de aquisição das imagens em alta resolução está na metade, onde foi desenvolvido um algoritmo de extração e re-amostragem dos dados geomagnéticos.

Esse algoritmo já está em fase de testes, e quando todo acervo estiver pronto, deverá ficar disponível na biblioteca do Observatório Nacional para a comunidade científica e público em geral.

O que é a anomalia magnética que está no Brasil?

Atualmente, o campo geomagnético é responsável por contribuir com a manutenção da atmosfera e serve como um “escudo”.

Esse escudo protege diversos equipamentos de aviação, satélites, sistemas de comunicação de partículas de alta energia que são emitidas pelo Sol outras regiões da galáxia.

No entanto, o CG tem uma grande anormalidade conhecida como AMAS, abrangendo uma parte significativa do Oceano Atlântico Sul, América do Sul e também da África.

É considerada como uma “falha” do campo geomagnético, uma vez que nessas regiões o campo é “baixo”, consequentemente, facilitando entrada de partículas eletricamente carregadas.

Essas partículas eletricamente carregadas causam um risco maior de acidentes envolvendo satélites artificiais em órbita, além de voos espaciais e intercontinentais.

Nos últimos séculos, a AMAS vem apresentando um movimento em direção a oeste, onde cruzou o Atlântico Sul ao longo de quatro séculos, enquanto o campo no interior da anomalia vem diminuindo.


Fonte: Tecmundo