Encarregado é indiciado por homicídio por morte de funcionária em indústria

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Nova Erechim, concluiu o inquérito policial que apurou a morte de um homem durante um acidente de trabalho. O fato aconteceu na noite do dia 26 de outubro, em uma empresa de aves localizada na linha Pinheirinho, interior de Nova Erechim.

A vítima Dirlei Terezinha Neres do Santos, de 57 anos, faleceu enquanto fazia a limpeza no local.

A Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias estiveram no local e por haver indícios de crime, foi instaurado inquérito policial para apurar os fatos.

A investigação mostrou que no estabelecimento havia uma máquina com problemas elétricos que vinha dando choque nos funcionários a bastante tempo, conforme informaram testemunhas ouvidas.

Os funcionários inclusive já vinham cobrando do supervisor uma solução, com medo de que uma tragédia pudesse acontecer.

As evidências coletadas também mostraram que o encarregado, um homem de 36 anos, não só não tomou qualquer providência quanto ao defeito, quanto expressava não estar preocupado com as consequências, mesmo que fatais. Segundo uma testemunha ouvida, ele dissera em uma ocasião inclusive que “mais do que morrer vocês não vão”.

Os funcionários também não possuíam equipamentos de segurança, mesmo diante do defeito que a máquina vinha apresentando, e que eram, mesmo assim, demandados a realizar a limpeza no local.

No dia dos fatos, Dirlei, depois de terminar seu expediente em outro setor, foi até o local do evento fatal para realizar a limpeza. Pouco tempo depois, enquanto limpava o chão sem equipamento de segurança, calçando apenas sandálias do tipo havaianas, encostou no objeto, levou uma descarga elétrica e foi a óbito ainda no local.

As perícias realizadas pelo IGP demonstraram que “a corrente elétrica se originou do contato com a mão direita na superfície do equipamento energizado, conduzindo ao solo através do tornozelo direito, passando pelo coração e causando a parada cardiorrespiratória”.

O supervisor da vítima foi indiciado por homicídio doloso, por dolo eventual, já que ficou demonstrado que, mesmo ciente do problema e dos riscos, não adotou qualquer medida para evitar uma tragédia que era anunciada, bem como estava indiferente quanto a esse resultado.

Em razão da gravidade do crime e de ameaças a testemunhas durante a investigação, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do indiciado. Porém o pedido foi negado pelo Poder Judiciário, que decretou em seu desfavor outras medidas cautelares, como a proibição de manter contato com as testemunhas.

Fonte: Portal Aconteceu, com informações Polícia Civil