Ex-esposa teria pago mais de R$ 1 milhão para ter marido de volta, em Chapecó

Valor foi gasto com simpatias, trabalhos espirituais e na contratação de um matador de aluguel. Crime ocorreu em maio deste ano, no Oeste do Estado.

Quatro pessoas são suspeitas de planejar a morte da empresária Maria Aparecida, de 48 anos, em junho deste ano, em Chapecó. A tentativa de homicídio ocorreu no centro do município. A vítima foi atingida por três tiros e sobreviveu.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (26), o delegado Vagner Papini detalhou a investigação feita pela DIC (Divisão de Investigação Criminal).

Papini disse que o paraguaio, Derlis Ramon Gimenez Lesmo, de 38 anos, foi contratado para matar a empresária pelo valor de R$ 35 mil.O homem foi preso em flagrante cerca de 20 minutos após o crime.

Ainda de acordo com o delegado, uma mulher, de 63 anos, teria sido a mandante do crime. Antes disso, a idosa – ex-companheira do atual esposo da vítima – contratou serviços de simpatia de uma cartomante e investiu R$ 20 mil nos trabalhos para separar o casal.

“No entanto, o resultado desses trabalhos não teriam sido efetivos, por isso, a idosa foi até a cartomante e disse: ué, não está dando resultado”, lembrou Papini.

Como alternativa, a cartomante exigiu R$ 340 mil para matar Maria Aparecida. “Foi encomendado ali um crime de homicídio”, detalhou o delegado. O valor foi pago em dezembro de 2018. A negociação durou seis meses.

Esquema do crime 

A cartomante contou com auxílio do marido Fabiano Aristides, de 37 anos, para o crime. O homem teria ido até à Cidade Del Este, no Paraguai, para contratar Derlis Lesmo, como matador de aluguel.

“Na ocasião o paraguaio recebeu R$ 15 mil à vista, com esse dinheiro ele deveria comprar a arma, uma motocicleta e vir até o Brasil para praticar o crime”, disse o delegado. Depois, receberia mais R$ 20 mil.

Lesmo entrou no Brasil pelo Uruguai, passou por São Borja/RS e aguardou Fabiano em Frederico Westphalen/RS. “Fabiano foi até a cidade com uma caminhonete L200 Triton e trouxe o suspeito para Chapecó”, pontuou o delegado. O paraguaio chegou no País na sexta-feira, 27 de maio.

Câmera flagrou momento de Fabiano e Derlis deixam o RS – Willian Ricardo/ND

Durante uma semana, Fabiano orientou Derlis sobre o crime. “A contração era para que o paraguaio simulasse o roubo do carro, carteira ou bolsa da vítima, para que as autoridades entendessem que se tratava se um latrocínio [roubo seguido de morte]”, disse Papini.

Por meio de imagens captadas por câmeras de vigilância, o delegado descobriu que a dupla esteve na casa da vítima em diversos momentos para comer o crime.

“No dia 3 de julho, Derlis esperou Maria nas proximidades da casa e viu quando ela embarcou no próprio carro e se deslocou para o centro, onde efetuou os disparos”, completou o delegado.

Ameças 

Depois da tentativa de homicídio, de acordo com a investigação, a cartomante procurou a cliente para fazer ameças. “Olha o serviço não deu certo e preciso de R$ 800 mil para fugir, se não vai acontecer contigo e sua família o mesmo que ocorreu com a vítima”, detalhou o delegado sobre o depoimento. Com medo, a idosa assinou 16 folhas de cheque no valor de R$ 50 mil e entregou a cartomante.

No decorrer da investigação, 15 cheques foram cancelados, apenas um foi compensado. Ao todo, entre os pagamentos, houve a movimentação de aproximadamente R$ 1.140,000 (um milhão cento e quarenta mil reais).

Indiciados 

A cartomante, o marido, a mandante e o paraguaio foram indiciados por homicídio qualificado tentado, pelo motivo torpe, pelo pagamento de recompensas e também pela traição, pois, os tiros foram efetuados pelas costas da vítima, o que não possibilitou a defesa.

A cartomante foi presa na tarde de quarta-feira (25) e está no Presídio Feminino de Chapecó. Derlis está preso no Complexo Prisional. Fabiano está foragido. Já a mandante permanece em liberdade.

Crime

Crime ocorreu na tarde do dia 3 de junho – Arquivo/ClicRDC

Maria Aparecida foi baleada por volta das 13h30 do dia 3 de junho. Ela estacionou a caminhonete que conduzia na rua Marechal Deodoro da Fonseca para ir ao banco. Já na calçada, a mulher foi abordada pelo paraguaio. Ele puxou a bolsa dela e atirou três vezes.

Após o crime, o suspeito fugiu em uma motocicleta. Ele foi preso, com uma motocicleta e uma arma, no bairro Seminário pela Guarda Municipal. Já a vítima foi socorrida e levada ao Hospital Regional do Oeste (HRO).

Uma câmera de segurança gravou a ação. As imagens mostraram  que o indivíduo chegou no local em uma motocicleta e estacionou atrás da caminhonete da vítima.

Alguns minutos depois, quando a vítima saiu do carro, ele seguiu em direção a ela.

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