Irã fecha santuários e liberta 85 mil presos

Um alto funcionário do governo iraniano, membro da Assembleia de Especialistas, o organismo responsável por nomear e supervisionar o Guia Supremo, morreu devido ao novo coronavírus, informou a agência oficial IRNA.

O aiatolá Bathayi Golpayegani, 78 anos, eleito em 2016, havia sido hospitalizado no sábado.

Bethayi Golpayegani representava Teerã na Assembleia de Especialistas, organismo integrado por 88 religiosos escolhidos por voto universal.

A Assembleia de Especialistas nomeia, supervisiona e, em caso de necessidade, destitui o Guia Supremo, máxima autoridade política e religiosa do país.

Ao menos 12 políticos ou dirigentes iranianos, incluindo dois deputados eleitos recentemente, morreram vítimas do novo coronavírus desde 19 de fevereiro, data em que as autoridades anunciaram a primeira morte.

A agência semioficial ISNA anunciou o falecimento de Fariborz Rais-Dana, analista econômico e militante político de 71 anos que chegou a ser detido por sua oposição ao governo.

No Irã, o novo coronavírus provocou a morte de 853 pessoas sobre um total de 14.991 infectados, de acordo com balanço desta terça-feira (17) da universidade norte-americana Johns Hopkins.

Santuários xiitas são fechados por causa do novo coronavírus

O país anunciou também na segunda, o fechamento de quatro importantes lugares santos, entre eles o santuário de Mashhad, primeiro cidade santa xiita do país, como forma de combater a a propagação do novo coronavírus

As infecções por Covid-19 já deixaram 853 mortos no país, segundo a imprensa estatal.

“Segundo as ordens do quartel general anti coronavírus e do ministério da Saúde, o mausoléu santo do Imã Reza, em Mashhad, assim como o santuário de Fátima Masumeh em Qom e o Xá Abdol Azim, no Teerã, estão fechados até segunda ordem”, anunciou uma emissora local.

A mesquita de Jamkaran, em Qom, também permanecerá fechada, segundo a agência iraniana Irna.

País solta prisioneiros

O país libertou temporariamente cerca de 85 mil prisioneiros, inclusive políticos, informou um porta-voz do Judiciário nesta terça-feira (17).

“Até agora, cerca de 85 mil prisioneiros foram soltos. Além disso, adotamos medidas de precaução nas prisões para confrontar o surto”, disse o porta-voz do Judiciário, Gholamhossein Esmaili.

Ele não detalhou quando os presos libertos terão que voltar às celas.

Um dia depois de o Irã libertar 70 mil prisioneiros no início de março, o relator especial das ONU para os direitos humanos no Irã, Javaid Rehman, disse que pediu para Teerã soltar todos os prisioneiros políticos temporariamente de suas prisões superlotadas e infestadas de doenças para ajudar a conter a propagação do coronavírus.

Rehman disse que só aqueles que cumprem penas menores de cinco anos foram libertados, enquanto detentos com penas maiores e aqueles responsabilizados por participarem de protestos anti-governo continuaram presos.

O Irã soltou ao menos uma dúzia de prisioneiros políticos nos últimos dias, de acordo com ativistas e grupos de direitos humanos, mas prisioneiros políticos destacados permanecem trancafiados.

Os Estados Unidos pediram a libertação de dúzias de presos com dupla nacionalidade ou estrangeiros detidos sobretudo por acusações de espionagem no Irã, dizendo que Washington responsabilizará o governo diretamente por qualquer morte de norte-americanos.