Lucro menor e dividendos: os 5 dados mais relevantes do 1º tri da Petrobras

A Petrobras divulgou nesta segunda-feira (13) o balanço patrimonial referente ao primeiro trimestre de 2024. O relatório com os resultados financeiros da estatal reporta lucro líquido 23% menor do que o apresentado nos últimos três meses do ano passado e revela o pagamento bilionário de dividendos aos acionistas da empresa nos próximos meses.

1 – Lucro menor

A Petrobras relatou lucro líquido de R$ 23,7 bilhões entre janeiro e março deste ano. O resultado representa uma redução de 23% em relação ao valor apurado no último trimestre de 2023. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior, de 37,9%.

A estatal atribui a queda à piora do resultado financeiro da empresa. A petroleira menciona a desvalorização cambial, o menor volume de vendas de óleo e derivados e a queda de preço do petróleo no mercado internacional.

No trimestre, o EBITDA ajustado da companhia totalizou R$ 60 bilhões. O valor do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização é 10,2% menor do que o apurado nos últimos três meses de 2023 (R$ 66,8 bilhões) e 17,2% inferior ao do primeiro trimestre do ano passado (R$ 72,5 bilhões).

Quando ocorre a desvalorização cambial, há flutuação no demonstrativo financeiro pela variação do câmbio que reconhecemos por regra contábil. Contudo, isso não afeta o caixa da companhia.
2 – Dividendos para os acionistas

A companhia anuncia a distribuição de R$ 13,45 bilhões aos acionistas. O montante referente ao primeiro trimestre equivale a desembolsos de dividendos e JCP (Juros Sobre Capital Próprio).

Pagamento equivale a R$ 1,04161205 por ação ordinária e preferencial em circulação. Os desembolsos serão realizados em duas parcelas idênticas, de R$ 0,52 por ação, realizados nos dias 20 de agosto e 20 de setembro.

A data de corte para ter direito à distribuição é dia 11 de junho. Todos os que tiverem ações da Petrobras (PETR3 ou PETR4) na data serão contemplados com os pagamentos.

3 – Dívida caiu

O endividamento financeiro da Petrobras caiu a US$ 27,7 bilhões. Com a redução de US$ 1,1 bilhão (-3,7%) no primeiro trimestre, o valor recuou ao menor nível da dívida financeira desde 2010. Há um ano, a dívida financeira da empresa era de US$ 29,8 bilhões.

A dívida bruta também recuou e alcançou US$ 61,8 bilhões. Conforme o balanço, o prazo médio da dívida passou de 11,38 anos para 11,3 anos. O custo médio do endividamento também variou, de 6,4% para 6,5% ao ano.

Os dados financeiros e operacionais da Petrobras no primeiro trimestre de 2024 são consistentes com a rota da companhia em cumprir seu Plano Estratégico (2024-28) de forma eficiente e sustentável.

4 – Investimentos encolheram

A estatal destaca o investimento de US$ 3 bilhões no primeiro trimestre. O valor é 14,5% inferior aos US$ 3,6 bilhões aplicados entre outubro e dezembro do ano passado, mas 22,6% superior aos US$ 2,5 bilhões investidos no mesmo período de 2023.

Em exploração e produção, foram investidos US$ 2,5 bilhões. Segundo a estatal, o valor será alocado no desenvolvimento de projetos que sustentarão a curva de produção dos próximos anos.

Cerca de US$ 1,3 bilhão será destinado ao pré-sal da Bacia de Santos. O valor foi alocado, principalmente, nos campos de Búzios e Mero e nos projetos do Pré e Pós-sal da Bacia de Campos, especialmente campos de Jubarte, Marlim e Raia Manta e Pintada. Há também investimentos exploratórios.

Na área de gás e energias de caixo carbono, os investimentos totalizaram US$ 100 milhões. O foco dos desembolsos está na unidade de processamento de Gás Natural do Rota 3. Já nas atividades de refino, transporte e comercialização, os investimentos totalizaram US$ 360 milhões.

Produção

A produção média da Petrobras 2,78 milhões de barris de óleo por dia. O total, referente às extrações de óleo, LGN (Líquido de Gás Natural) e gás natural, é 3,7% maior em comparação com a produção do mesmo período de 2023.

Navios-plataforma para produção e armazenamento operam com destaque. Nos primeiro três meses do ano, o aumento da produção foi guiada pelos FPSOs Almirante Barroso, P-71, Anna Nery, Anita Garibaldi e Sepetiba. Além disso, houve a entrada em produção de 19 novos poços de projetos complementares nas Bacias de Campos (11) e Santos (8).

A jazida de Búzios produziu 1 bilhão de barris de óleo. A extração ocorreu nas cinco plataformas, citada pela Petrobras como um marco. No parque de refino, a Petrobras utilizou 92% da capacidade total, com rendimento de 67% de diesel, querosene de aviação e gasolina.