Moradores contratam suposto construtor, dão valor de entrada e obras não são executadas em Chapecó

Nos últimos dias, alguns moradores de Chapecó relataram ao ClicRDC que foram vítimas de um suposto golpe. Daniela Zancanaro, José Massolin e outras pessoas, contrataram o mesmo homem para construir casas de madeira. Após receber o valor de entrada ou o bem combinado na negociação, o homem não efetuou o trabalho e não devolveu o dinheiro ou bens entregues pelas vítimas no negócio. O suposto construtor também foi procurado pela reportagem e comentou sobre o assunto. O nome dele não será divulgado para não atrapalhar as investigações.

Daniela Zancanaro foi uma das lesadas pela negociação que fez com o suposto construtor, em 2019. Ela tinha um carro e um valor – que seria destinado para realizar o casamento dela. Ela e o marido, na época, decidiram investir o valor na construção da casa própria. Daniela conheceu o suspeito pelo Facebook, onde ele havia publicado que fazia obras, sem financiamento. O valor era pago direto com ele. “Podia dar carro de entrada, fazia um contrato, era registrado esse contrato – tudo feito legalmente. Tinha uma porcentagem, se não pagasse até certa data e se ele não fizesse o trabalho, devolveria o dinheiro”, contou.

Daniela firmou contrato com o suposto construtor. A casa seria de madeira e custaria R$27 mil reais, com mão de obra e materiais. A entrada do negócio foi um veículo Vectra e uma certa quantia em dinheiro. O homem chegou ir ao local indicado para a construção, na Linha São Rafael. Segundo Daniela, no terreno foram feitos alguns buracos e nada mais.

“Deixei de um sonho para completar outro, bem no fim estou até hoje sem os dois: sem o casamento e sem a casa”, relatou Daniela – que procurou a polícia e registrou Boletim de Ocorrência contra o homem. Ela também contratou um advogado para tentar reaver na justiça o dinheiro que perdeu.

A moradora contou que foram várias as desculpas dadas pelo suposto construtor, mas apesar das justificativas ele não fez o trabalho e não devolveu o dinheiro dela. Daniela destaca que a situação é revoltante. Essa é a mesma indignação de outra moradora, que não quis se identificar. Ela também foi lesada pelo mesmo cidadão. A promessa foi a mesma. Segundo a moradora, por meados de julho de 2018, ela fez um contrato com o indivíduo – em que dava o carro de entrada para a construção de uma casa de madeira. Antes de fechar negócio com o homem, ela chegou a fazer orçamentos em outros locais. O suposto construtor ela conheceu no Facebook, onde realizou o primeiro contato. Ele foi ao local onde seria a obra e fez um orçamento – que apresentou ser o mais vantajoso para mulher.

Para construir a casa, que custaria R$ 30 mil, ela deu de entrada um carro no valor de R$7 mil. O restante do valor seria pago em parcelas de R$800. A residência seria construída no bairro Boa Vista, mas o cidadão não construiu a casa dela, repassou o veículo para terceiros e ainda não ressarciu o valor.

“Ele não trouxe nada, nenhuma madeirinha. Ele veio aqui umas duas, três vezes até fechar o contrato, depois que fechamos o contrato – que ele levou o meu carro – nunca mais apareceu”, contou. Ela procurou a delegacia no Passo dos Fortes e registrou um Boletim de Ocorrência.

“É muito triste, pois a gente trabalha pra ter as coisas e vem um cara e nos tira como se fosse doce na mão de criança! A gente se sente um lixo, imprestável”, relatou.

Assim com as duas mulheres, José Massolin também foi lesado pelo homem. Ele havia contratado o suposto construtor para fazer a casa dele, no bairro Passo dos Fortes. José estima que o prejuízo dele foi de cerca de R$ 10 mil, entre o valor de entrada, uma ‘carretinha reboque’ e parcelas que ele pagou.

“Fiz um contrato com ele, para ele me dar uma casa prontinha, com a chave na mão”. O valor total seria R$ 30 mil. O suposto construtor tinha prazo de 90 dias para entregar a obra. No entanto, segundo José, ele somente fez a fundação, não apareceu para concluir a obra e não devolveu o valor.

Da mesma forma que José, Rudinei de Brito também contratou o suposto construtor para fazer uma casa de madeira, em uma propriedade na Linha Boa Vista. O homem agiu da mesma maneira. Fez contrato com Rudinei, recebeu R$5 mil de entrada, não executou o serviço e não devolveu o valor.

Brito já denunciou o caso na delegacia e também procurou um advogado para tentar reaver o valor. O contrato firmado entre Rudinei e o homem foi feito em setembro de 2019. Segundo Brito, o suposto construtor ainda está agindo no município.

Versão do suposto construtor

Procurado pela reportagem, o homem – citado pelas pessoas que procuraram o ClicRDC – destacou que realmente há contratos que estão atrasados. Segundo ele, os atrasos aconteceram devido a problemas financeiros. Ainda disse que devido aos atrasos, alguns clientes não conseguiram aguardar o tempo pedido por ele e entraram na justiça. “Vamos ter audiência de conciliação pra nos acertar e é o que nós queremos. Tem casos que já começamos a acertar”, disse.

O homem ainda contou que em alguns casos, os contratos não tinham vencido e os clientes optaram por não querer a casa, devido ao atraso na entrega. “Mas nós estamos sempre em contato com eles, e como não foi feito a casa, o mínimo que podemos fazer é devolver o valor que nos passaram. Mesmo estando na justiça, vamos ver pra acertar o mais breve”.

Outro caso de dano

Adrieli Aparecida Defaveri também foi lesada pelo mesmo homem, mas diferente dos demais ela vendeu um carro ao cidadão e não recebeu o valor. Segundo ela, após fazer o anúncio sobre a venda no Facebook, o homem se interessou e a contatou. Eles fizeram um contrato de compra e venda, registrado em cartório. O veículo era financiado, por isso ela pediu R$ 15 mil – referente ao valor já pago – também ficou acordado que o comprador assumiria as demais parcelas que tinha com o banco.

No entanto, o homem não pagou valor para ela, nem as parcelas com a financeira. Ela precisou quitar o valor das parcelas restantes e não teve o carro de volta. Adrieli contou que o homem vendeu o automóvel para outra pessoa e o veículo foi apreendido pela Receita Federal, após ser usado para contrabandear cigarros.

A moradora não acredita que será ressarcida pelos danos, no entanto, gostaria que a situação fosse levada a público, para que outras pessoas não sejam lesadas pelo homem. “Para que outras pessoas pobres como nós, não caiam no mesmo golpe. Ele sai rindo da nossa cara, ele é debochado. Alguém tem que parar esse cara, alguém tem que fazer alguma coisa”, pede.

Investigação

Uma das denúncias feitas contra o homem é investigada pela 3ª Delegacia de Polícia, localizada no bairro Efapi. O delegado Danilo da Silva Fernandes destacou que são feitas diligências, para verificar se trata-se de um crime ou se foi um desacordo comercial – quando uma das partes de uma negociação não cumpre com o acordo contratual.

“Para caracterizar crime, tem que mostrar que a pessoa tinha a intensão – o dolo que a gente fala no Direito Penal – de cara quando fez o contrato, de causar um prejuízo”, explicou o delegado.

Fonte: CLICRDC / Foto: Reprodução/Abimci