Pressão do mercado por bem-estar animal muda processos da produção pecuária no Paraná

A pressão do mercado por uma produção pecuária que respeite o bem-estar animal está exigindo mudanças nos processos produtivos no país. Produtores do Paraná, como maior produtos de proteína animal do Brasil, estão adotando novas práticas para garantir esta fatia do mercado.

Para a gerente de recursos naturais na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável, Fernanda Góss Braga, bem-estar animal é garantir que o animal tenha uma boa saúde e viva em boas condições antes do abate.

“Um lugar com higiene adequada pra que ele possa expressar seu comportamento. Estar livre de desconforto, de dor e de medo” , explica.
Segundo o gerente de saúde animal da agência, Rafael Gonçalves Dias, as pressões do mercado externo são grandes, a ponto de auditores de outros países virem ao Brasil verificar se realmente os animais são tratados, seguindo as normas previstas das chamadas boas práticas.

“Desde o nascimento do animal, a oferta de alimentos, o transporte desse animal até o abatedouro, tudo é minuciosamente acompanhado. Como órgão de fiscalização, buscamos a padronização. Queremos que todo mundo faça da maneira mais correta possível”, explicou o gerente de saúde animal da Agencia de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias.

Orientações
Para ajudar os produtores, o governo estadual está elaborando uma coleção de cartilhas sobre o tema, abordando algumas categorias de animais, cada uma com um enfoque apropriado, desde os silvestres, os domésticos, os de fazenda.

Para a bióloga, a conscientização dos criadores para este novo conceito é um processo a longo prazo, mas que precisa ser feito. A ideia é criar uma rede que incentive as boas práticas de bem estar animal.

Tendências
De olho no futuro do agronegócios, a Federação das Industrias do Paraná (Fiep) desenvolve desde 2009 estudos identificando as tendências de mercado.

Um estudo constatou a necessidade de capacitação de médicos veterinários, envolvimento de toda a cadeia produtiva desde o campo até a indústria, com adoção de sistemas que proporcionem níveis maiores de bem estar animal.

Um exemplo de segmento que tem adotado novas práticas é a produção de porcos. Em Castro, nos Campos Gerais do Paraná, uma granja de porcos instalou cortinas onde os porcos ficam para controlar melhor a temperatura. O ideal é que fique a 23 ºC, o que evita várias doenças para os animais.

Foram instalados nebulizadores, um sistema de gotejamento e ventiladores. Além disso, água e comida a vontade para os três mil animais em processo de engorda.

“Eles comem a hora que querem, bebem muita água, têm menos estresse e isso é sinal qualidade”, explica a suinocultora Debora Noordegraf.

O produtor pecuarista que investe neste modelo é melhor remunerado, segundo Débora. “O produtor tem bonificação e eu tenho check-list a seguir. Ganha o produtor e o frigorifico também”, diz.

Uma equipe técnica acompanha todo o processo. “Como médico veterinário, a preocupação é que o animal seja bem tratado enquanto estiver vivo”, diz a médica veterinária e assistente técnica da granja, Amanda Goldoni.

Os suínos criados pela Débora e por outros 120 cooperados vão para uma indústria nos Campos Gerais, que é o primeiro frigorifico brasileiro de suínos a receber certificação internacional de bem-estar animal.

O certificado, conquistado em 2017, é mantido até hoje em razão de um rigoroso controle de qualidade, desde o recebimento do animal na indústria – pra controlar se ele não se machucou durante o transporte – até o abate, feito após a inalação de gás carbônico.

“Nossos diferencial é a certificação, seguimos regras a mais, e o abate, que é diferente das outras indústrias, sem sentir dor”, diz a analista de bem estar animal, Bruna Rafaely Vicente da Silva.

Fonte: G1
Foto: Reprodução/RPC