Servidor da comarca de Quilombo se destaca pelo exemplo de empatia no serviço público

O técnico judiciário auxiliar da comarca de Quilombo Arno Sponchiado resolveu trocar a dedicação aos processos dos munícipes por cuidar do jardim e da horta de casa, curtir o barulho da chuva, se aquecer no sol, aproveitar o balanço da rede à sombra. É que chegou a aposentadoria dele.

A paixão pelo Direito foi o que motivou “seu Arno”, como é carinhosamente chamado pelos colegas e amigos do fórum, a prestar concurso para o Poder Judiciário de Santa Catarina. Foi o segundo colocado na classificação dos aprovados. Assim, desde o dia 20 de junho de 2000, desempenhou as funções de distribuidor judicial, secretário do foro, chefe de cartório e contador judicial, além de substituir, inúmeras vezes, outros cargos na comarca, inclusive escrivão eleitoral. “Estudei Administração porque, na época, não havia curso de Direito na universidade daqui. Atuei 27 anos no serviço público municipal como escriturário, professor, secretário municipal e vice-prefeito”, conta.

Esse envolvimento com as questões públicas – não só profissionalmente, mas também como cidadão ativo e envolvido nas causas do desenvolvimento municipal – fez com que Arno participasse de várias ações e movimentos para a instalação de uma comarca em Quilombo, necessidade evidente diante da dificuldade de deslocamento para Xaxim, a que o município era jurisdicionado. “Quando atuava na prefeitura, participei ativamente nas tratativas da doação do terreno onde se encontra o prédio do fórum, tendo a honra de conduzir o protocolo de sua inauguração em 1997”, destaca, ao lembrar que a relação com o PJSC iniciou muito antes do concurso público.

Empatia

E foi ali, atrás do balcão de atendimento do fórum, que Arno exerceu seu cargo da forma como sempre acreditou que a população merece ser tratada: de maneira ágil, com presteza e educação. O mínimo que esperava de um servidor público quando ele ou algum familiar era atendido. E assim ele fez ao longo dos últimos 21 anos. “Quando compareciam pessoas simples e humildes, que têm a natural dificuldade de entender os termos jurídicos, o porquê da demora de um processo, eu tentava sempre exercer a empatia, com paciência e me colocando no lugar delas, atendendo da melhor forma possível”, lembra.

E, assim, Arno leva a satisfação de beneficiar alguém com suas atividades como, por exemplo, a expedição de uma requisição de pagamento, um alvará e uma carta de sentença, além do alívio de arquivar processos, especialmente os quase intermináveis, com a prestação jurisdicional entregue. “O Arno é um servidor que representa com muita propriedade o que significa o amor ao trabalho. Sempre laborou com dedicação à causa da Justiça, preocupado com a celeridade da entrega da prestação jurisdicional e sempre pronto a auxiliar a equipe!”, destaca a juíza diretora do foro da comarca de Quilombo, Jaqueline de Fátima Rover.

Mas como nem tudo são flores, as experiências não tão boas também acompanharão o servidor aposentado. “Vivi a tristeza de ver que as pessoas não conseguem resolver amigavelmente os conflitos e os trazem para julgamento, especialmente os embates familiares, que envolvem crianças e seus sentimentos de perda, de abandono, da falta de responsabilidade da paternidade, dos débitos alimentares, das mais variadas violências contra mulheres, crianças e adolescentes e contra a vida”, divide.

Despedida

O último dia 29 foi o derradeiro no PJSC para Arno. A confraternização e comemoração com o tradicional churrasco está prometida e deve acontecer assim que a pandemia deixar. “Tive a oportunidade de trabalhar em equipe, com a cooperação e o coleguismo presentes. Conheci e convivi com vários juízes e juízas, promotores e promotoras, comprometidos e altamente eficientes e humanos. Aprendi muito com todos que, ao longo desses 21 anos, passaram na comarca. Muitas lições de vida! De pessoas que trabalharam na copa, na limpeza, na zeladoria, da segurança, dos estagiários. Dos colegas, dos juízes(as) e promotores. Alguns se tornaram grandes amigos! Isso é o que verdadeiramente importa! Levarei todos comigo pelo resto de minha vida”, considera.

Além de cultivar as plantas em casa, ainda estão na lista de desejos cuidar da saúde, viajar e estar mais perto da família. “Enfim, permitir-se só viver, sem a pressão do mundo do trabalho, com tranquilidade e paz”, finaliza.

Conteúdo: Assessoria de Imprensa/NCI