UTIs lotadas e 2 mil infectados em 4 dias: a situação do epicentro da Covid-19 em SC

Epicentro da Covid-19 em Santa Catarina, a Grande Florianópolis é a única região classificada em nível gravíssimo pelo mapa de risco para a doença, divulgado nesta terça-feira (4).

Com o aumento da população infectada, a região passa a sentir as consequências do avanço da doença, impactando na lotação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

Nesta quinta-feira (5), a taxa de ocupação dos leitos de UTI adulto chegou a 94%. Dos 196 leitos disponíveis, 151 estão ocupados e 34 indisponíveis. Restam assim 11 leitos para o atendimento de novos pacientes. Os dados são do Covidômetro e foram atualizados na manhã desta quinta.

A ocupação também é alta nos leitos neonatais (82%) e um pouco mais confortáveis na UTI pediátrica (50%).

Referência no atendimento da Covid-19 na região, o Hospital Florianópolis tem 25 dos seus 30 leitos ocupados por pacientes com a Covid-19. A situação é mais grave no Hospital Nereu Ramos, que tem apenas uma vaga disponível para internações na UTI.

De acordo com dados do Painel Leitos de UTI SUS, atualizado às 11h pela SES (Secretaria de Estado da Saúde), dos 15 leitos, 14 estão ocupados sendo dez deles por pacientes com a Covid-19.

Mais de 2 mil infectados em quatro dias

A matriz de risco considera quatro itens: evento sentinela, monitoramento, transmissibilidade e a capacidade de atenção. Mas é no primeiro, que mede a mortalidade da Covid-19, que a Grande Florianópolis tem a pior classificação. Isso aponta que a pandemia continua em expansão na região.

Nos quatro primeiros dias de novembro foram notificados 2.464 novos infectados na região. Número muito superior ao contabilizado no mesmo período na Foz do Rio Itajaí e no Planalto Norte, ambos locais com alto índice de contaminação.

Grande Florianópolis está em alerta para Covid-19 – Foto: Reprodução/SSP

Na Foz do Rio Itajaí foram identificados 673 novos casos, totalizando 32.427 infectados.

Já no Planalto Norte, no mesmo período, o total foi de 629 confirmações. Com o acréscimo de contaminados, a região chegou a 41.874 casos.

Esse aumento nos casos confirmados levou a Grande Florianópolis a ser classificada como em risco grave no item transmissibilidade. O mesmo acontece com a capacidade de atenção, fator que diz respeito à ocupação das UTIs.

Há ainda o monitoramento, item relacionado à investigação de casos e inquérito de síndrome gripal na comunidade. Em nível grave, a Grande Florianópolis deve aprimorar a investigação dos contatos de casos ativos para que o indicador aponte melhora.

Volta das restrições

O nível gravíssimo é o mais alto na matriz de risco pelo mapa da Covid-19. Diante deste cenário, as regiões nessa situação tem a recomendação da SES para reduzir o tempo de funcionamento, adequar ou suspender atividades como transporte coletivo e o funcionamento do comércio.

A recomendação vale ainda para bares, restaurantes, academias, atividades relacionadas ao turismo e cursos presenciais.

A reportagem do ND+ questionou a Secretaria de Saúde de Florianópolis, Capital do Estado e maior cidade da região, sobre a possibilidade do endurecimento de medidas.

A resposta foi que os municípios da Grande Florianópolis têm se reunido regularmente para discutir o aumento do contágio e as medidas de combate, assim como aumento de leitos. Desse modo, novas mudanças serão anunciadas em conjunto entre os gestores das cidades.

Os prefeitos de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, junto ao secretário estadual da Saúde, André Motta, fizeram uma reunião no dia 27 de outubro.

Uma das pautas foi o aumento de fiscalização no feriado de Finados. Contudo, nenhuma medida de distanciamento mais rigorosa foi anunciada.